Dia Europeu da Terapia da Fala – O papel do/a terapeuta da fala nos Cuidados Intensivos

6 Março, 2023

No âmbito do Dia Europeu da Terapia da Fala, que se comemora a 6 de março, a Associação Portuguesa de Terapia da Fala (APTF) em coordenação com a European Speech and Language Therapy Association (ESLA) criaram este ano a campanha de sensibilização direcionada para o tema “O papel do terapeuta da fala nos Cuidados Intensivos”. No Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), a atuação do terapeuta da fala está integrada nas equipas multidisciplinares da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos e no Serviço de Medicina Intensiva em Adultos.

Estes/as doentes, por norma críticos, requerem uma abordagem especializada e podem manifestar alterações na comunicação, deglutição, motricidade orofacial, voz, fala e linguagem que podem ser de origem orgânica, mecânica, iatrogénica ou mista. No entanto, o principal motivo de encaminhamento para Terapia da Fala são as perturbações ao nível da deglutição, tanto nos adultos como nas crianças, atendendo à sua alta prevalência e complexidade nestas unidades e pela sua ligação ao risco de aspiração e subsequente mortalidade.

Na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos, a Terapeuta da Fala tem um papel importante a desempenhar na prevenção e intervenção precoce com recém-nascidos prematuros e/ou bebés de risco em desenvolver dificuldades de alimentação. Em muitos casos, a duração da hospitalização depende muitas vezes da autonomia alimentar, desta forma o objetivo da Terapeuta da Fala é acelerar a autonomia alimentar da criança, torná-la ativa na alimentação e promover o desenvolvimento oral, preservando ao mesmo tempo relacionamento entre pais e filhos/as, com o objetivo de otimizar o regresso a casa.

Nos Cuidados Intensivos em adultos, a Terapeuta da Fala avalia e intervém de forma preventiva, precoce e/ou intensiva maioritariamente nas funções da deglutição e na comunicação. Funções que, quando reabilitadas são vistas como um retorno à normalidade durante o processo de recuperação e uma medida de qualidade de vida.  A sua atuação tem como objetivo contribuir para o desmame ventilatório, descanulação em situação de traqueotomia, adaptar e/ou reabilitar a deglutição, otimizar a funcionalidade da comunicação, entre outros.

De modo complementar, o/a Terapeuta da Fala pode ainda recomendar e orientar para exames instrumentais, ser consultor e formador da restante equipa de profissionais de saúde e participar nas reuniões e decisões multidisciplinares. O/A Terapeuta da Fala pode desta forma contribuir para a minimização de riscos e complicações associadas ao doente e à prestação de cuidados, potenciando a sua estabilidade clínica e reduzindo o tempo de internamento hospitalar e custos associados.