HFF: uma manhã ‘com o autismo’ para despertar consciências…

28 Fevereiro, 2024

No dia 2 de abril celebra-se o “Dia Mundial da Consciencialização do Autismo”, estabelecido em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Realizar-se-á, por isso, no auditório do Hospital Fernando Fonseca (HFF), uma iniciativa que ocupará toda a manhã, das 9h15 às 13h, visando aprofundar temáticas-chave e encontrar soluções para ‘lidar’ com a doença.

O autismo é uma patologia neurobiológica crónica que se caracteriza por défices no funcionamento social e comunicacional, bem como por comportamentos e interesses restritos e repetitivos.

Trata-se de uma patologia com uma prevalência estimada de cerca de 1,5% nos países desenvolvidos. Em Portugal, segundo um estudo da Universidade de Coimbra, uma em cada 1000 crianças em idade escolar têm autismo.

Os indivíduos afetados por esta perturbação do neurodesenvolvimento  apresentam problemas na interação social com pares, podendo manifestar-se na dificuldade em compreender a intenção do outro, no estabelecimento e/ou manutenção do contacto ocular (e da conversação) e dificuldade na compreensão do gesto e jogo simbólico. Apresentam também défices no processamento da informação sensorial (como visão e audição). Têm interesses muito restritos e comportamentos repetitivos (ritualizados).

O diagnóstico é clínico e podem ser utilizadas escalas de rastreio ou de diagnóstico para complementar a informação clínica. Uma boa entrevista cínica e a observação da criança podem levantar a suspeição do diagnóstico de autismo. Há várias outras doenças associadas, e que devem ser excluídas, como por exemplo: patologia psiquiátrica ou epilepsia.

A intervenção deve iniciar-se o mais brevemente possível visando melhorar o futuro destas crianças. Deve promover-se a socialização e colocar a criança numa estrutura de ensino (jardim de infância). Deve ser ativado o Serviço Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI) de forma a proporcionar uma intervenção holística à criança. “Também poderá ser necessária a ajuda de outros técnicos: terapeuta da fala, terapeuta ocupacional ou psicólogo/a. A articulação multidisciplinar é fundamental para a melhoria da qualidade de vida e futuro destas crianças”, alertam as pediatras da consulta.

Nesta reunião discutir-se-ão vários temas: “O autismo e as birras” (como reconhecer e lidar com a doença); “O autismo e a adolescência” (contaremos com a experiência dos psicólogos Rita Alves e Samuel Branco); “O autismo e a epilepsia” (Andreia Mota falará sobre a teoria e a prática) e “O autismo e a intervenção” (Maria João Mata abordará a importância da Terapia Ocupacional e Mafalda Santos deixará uma perspetiva do ensino especial). Haverá também lugar à “Voz das famílias”, com Marília Conniott.

O Programa do evento pode ser consultado aqui

Organizada pelo Departamento da Criança e do Jovem do Serviço de Pediatria do nosso Hospital, este encontro de especialistas tem inscrições abertas através do e-mail: dia.desenvolvimento@nff.dev.mktvweb.com.

O preço é de 7 euros e as inscrições são limitadas.

Importa também referir que, no âmbito do “Dia Mundial da Atividade Física”, no próximo dia 6 de abril, em Lisboa, Carnaxide, realizar-se-á, pelo 6º ano consecutivo, um evento de dança em celebração do “Dia Internacional do Autismo”, que conta com mais de 500 participantes.

“Vestir Azul e Dançar no Mundo do Autismo” é um encontro solidário que visa a angariação de fundos para a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, Setúbal (APPDA, Setúbal) e que terá lugar no Parque Desportivo Carlos Queiroz, das 15h às 18h.

Neste dia, visando ajudar monetariamente esta associação, o grupo de dança africana “African Dance Roots” – em parceria com a Oeiras Viva (que disponibilizou o espaço) – proporcionará momentos de pura descontração e energia, garantindo a presença de instrutores/as e bailarinos/as de dança que, genuinamente, farão “a diferença na vida dos nossos «tesouros azuis»”, esclarece Margarida Lopes, membro da organização do evento, que apela à presença de todos numa “experiência de ritmos” que, por si só, permite “regressar à essência das nossas raízes”, conclui entusiasma.

De referir que o valor do bilhete são 5 euros.