«Preparação intestinal de colonoscopia em doentes internados – um marcador de qualidade a melhorar» – Sessão Clínica do HFF

29 Maio, 2023

Na passada quinta-feira decorreu mais uma Sessão Clínica do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) e teve como tema: «Preparação intestinal de colonoscopia em doentes internados – um marcador de qualidade a melhorar», da responsabilidade do Serviço de Gastrenterologia.

A preparação intestinal em colonoscopia é um tema relevante na Gastrenterologia e um dos indicadores de qualidade fundamentais, de acordo com a Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal. Deve ser adequada para permitir a correta visualização da mucosa intestinal e não comprometer a acuidade diagnóstica ou o potencial terapêutico do exame.

A ausência de preparação intestinal adequada, isto é, Boston Bowel Preparation Score < 6 pontos e/ou pontuação segmentar < 2, associa-se à necessidade de repetição da colonoscopia, condicionando custos diretos e indiretos para o/a doente e para os serviços.

São vários os estudos que apontam uma baixa taxa de preparação intestinal adequada na colonoscopia em internamento, tendo sido identificados vários fatores, modificáveis e não modificáveis, que contribuem para tal.

No primeiro semestre de 2021, a taxa de preparação intestinal adequada das colonoscopias realizadas em regime de internamento, na Unidade de Técnicas de Gastrenterologia do HFF, aproximou-se dos 60%, valor bastante inferior ao desejável (≥ 90%). Nesse sentido, o serviço de Gastrenterologia desenvolveu o protocolo: «Colonoscopia – preparação intestinal em doentes internados», já disponível na gestão documental, com o objetivo de fornecer informação acerca dos fatores a ter em conta no período pré-colonoscopia, essenciais para a obtenção de uma preparação intestinal adequada.

Entre estas variáveis, salienta-se a necessidade de fornecer ao doente, informação verbal e por escrito, acerca do exame e respetiva preparação (documentos disponíveis na gestão documental); a otimização das doenças agudas e crónicas que possam comprometer a qualidade da colonoscopia; a escolha do preparado intestinal adequado para cada situação clínica, bem como respetivo “calendário“ da toma; os adjuvantes dos preparados intestinais e o reconhecimento da existência de grupos especiais, com estratégias próprias para a preparação intestinal (exemplo dos doentes com insuficiência renal crónica em hemodiálise).

Além do protocolo institucional, pretende-se articular com as Enfermarias do HFF, a realização de ações de formação a fim de sensibilizar para o tema e para a disponibilidade institucional de documentação de apoio. Adicionalmente, cabe-nos compreender as limitações de cada Serviço, esperando que com estas medidas, se consiga efetivamente obter melhoria da qualidade da preparação intestinal dos exames realizados em regime de internamento, com benefícios para os doentes e para os Serviços prescritores do HFF.