Sessão da ULS celebra o Dia Mundial do Rim com debate sobre Doença Renal Crónica

13 Março, 2025

No Dia Mundial do Rim, que se assinala hoje, a ULS Amadora/Sintra promoveu um Sessão para debater a “Doença Renal Crónica: Uma tragédia anunciada…”, sob a égide do Serviço Nefrologia.

Para se ter uma noção da importância deste debate, importa referir que a prevalência da doença renal crónica (DRC) está a aumentar em todo o mundo. Portugal tem uma das taxas mais elevadas de DRC avançada na OCDE, sendo necessário controlar os fatores de risco e fazer o diagnóstico precoce. Neste Dia Mundial do Rim foi apresentado o projeto do Serviço de Nefrologia da ULS Amadora/Sintra para obter dados epidemiológicos sobre a DRC e fazer a deteção precoce e a prevenção secundária da doença em colaboração com as unidades de cuidados primários de saúde desta ULS.

A doença renal crónica, nas fases iniciais, é assintomática, o que contribui para o atraso no diagnóstico, Fernando Domingos, diretor do Serviço de Nefrologia da ULS Amadora-Sintra, alerta para a importância do diagnóstico precoce. De acordo com os dados disponíveis, a prevalência da doença renal crónica (DRC), em Portugal, é aproximadamente de 11%, mas dois terços dos doentes desconhecem o diagnóstico.

Acresce que, de acordo com o Dr. Fernando Domingos, a maior parte das doenças renais não dá sintomas nas fases iniciais. Se forem diagnosticadas e tratadas no início têm bom prognóstico e podem não evoluir. Pelo contrário, se não forem tratadas têm tendência a progredir, mais ou menos rapidamente, e a deixar alterações permanentes na função dos rins. Por outro lado, o diagnóstico precoce da DRC permite ter cuidados extra com os doentes, de forma a prevenir complicações da doença. A função renal destes doentes é mais frágil dos que os indivíduos com função renal normal. Por último, mas não menos importante, os indivíduos com DRC têm um risco muito aumentado de desenvolver outras doenças, principalmente doenças cardiovasculares incluindo insuficiência cardíaca, enfartes do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

De salientar, entretanto, que os custos da doença renal crónica são extremamente elevados. Podemos dividi-los em dois grandes grupos: custos diretos, relacionados com o tratamento, os quais são relativamente fáceis de calcular, e custos indiretos que são praticamente incalculáveis.

Os custos diretos com o tratamento aumentam, gradualmente, à medida que a função renal se vai agravando. Quando os doentes chegam à fase mais avançada e necessitam de diálise, o custo é aproximadamente de 25.000 euros por ano, mais as despesas com transportes. A este valor têm de ser adicionados os custos relacionados com internamentos e com o tratamento de outras doenças que são mais frequentes nos doentes renais, incluindo insuficiência cardíaca, enfartes do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, infeções, entre outras.

De qualquer forma, o impacto da DRC só pode ser mitigado alterando, radicalmente, o modo como se pensa esta doença. O foco tem de ser a prevenção e a intervenção nas fases precoces da doença. O tratamento é importante e não podemos deixar de investir no desenvolvimento de novas terapêuticas, que permitam tratar mais eficazmente as doenças renais ou impedir a progressão dos casos mais avançados, mas se quisermos fazer verdadeiramente a diferença teremos de investir muito mais na prevenção e no diagnóstico precoce.

É necessário sensibilizar os médicos dos cuidados primários de saúde para a necessidade de utilizar adequadamente os instrumentos que têm ao seu dispor para fazer o diagnóstico nas fases iniciais.  Na ULS Amadora/Sintra, os critérios de referenciação estão bem definidos e foram amplamente difundidos junto dos médicos de família. Esta definição é fundamental para facilitar o acesso a cuidados especializados aos doentes que deles verdadeiramente necessitam, permitindo que os restantes sejam seguidos pelos seus médicos de família.