Sessão ULS – Os meios de contraste em radiologia: em busca da utilização clinicamente responsável e sustentável.

10 Junho, 2025

Os produtos de contraste são substâncias essenciais na radiologia moderna e foram tema de debate na Sessão da ULS Amadora Sintra que se realizou no Auditório do Hospital Fernando Fonseca. Estes produtos são utilizados nas diversas técnicas imagiológicas, tais como a ecografia, os estudos radiográficos, a tomografia computorizada e a ressonância magnética.

No entanto, apesar do contributo inquestionável para a acuidade diagnóstica, o seu uso não está isento de riscos ou de responsabilidades. É fundamental garantir uma utilização criteriosa e clinicamente justificada, promovendo a segurança do doente, a proteção ambiental e a sustentabilidade financeira.

A administração de produtos de contraste pode desencadear reações alérgicas de gravidade variável, bem como um agravamento da função renal, justificando sempre uma avaliação rigorosa prévia e a vigilância do doente durante e após a realização do exame. De igual forma, não está ainda comprovada a segurança a longo prazo da administração de gadolínio, que fica retido nos órgãos e tecidos.

Os contrastes iodados e à base de gadolínio contaminam os recursos de água potável e acumulam-se nos ecossistemas aquáticos, prejudicando gravemente a flora e a fauna. A maior parte destes resíduos não é removida no processo de tratamento de águas e a sua presença foi já confirmada em rios e alimentos do nosso quotidiano, representando uma grande preocupação ecológica. Adicionalmente, os contrastes ecográficos, expelidos pela respiração dos doentes, persistem na atmosfera e afetam diretamente a camada de ozono.

A nível global, estimam-se que sejam realizados mais de 150 milhões de exames contrastados por ano, com um custo por dose que ultrapassa os 50-100€ em Portugal. O uso excessivo e inadequado destes produtos sobrecarrega financeiramente as instituições e compromete a estabilidade económica dos sistemas de saúde.

É urgente a necessidade de transitar para uma radiologia verde e sustentável e o equilíbrio destes 3 pilares é possível com o contributo de todos – conclui-se nesta Sessão da ULS Amadora/Sintra.