A Inteligência Artificial em Medicina – Oportunidades e Desafios na Especialidade de Neurorradiologia – Sessão do HFF

3 Maio, 2023

Esta sessão do HFF teve início com uma breve resenha histórica da Inteligência Artificial, enquanto disciplina da Ciência da Computação, acompanhando-se da explanação sucinta e definição dos seus principais capítulos e subdivisões (machine learning, deep learning, etc.).

Conduzida pelo Dr. Rui Manaças, diretor cessante do Serviço de Neurorradiologia, que expôs a uma plateia interessada as principais aplicações nas várias áreas desta especialidade, já existentes e/ou em desenvolvimento, como o AVC, isquémico e hemorrágico, os Aneurismas Cerebrais, os Tumores Cerebrais, as Demências e restantes Doenças Neurodegenerativas.

Rui Manaças identificou também a proposta de Inteligência Artificial, do Serviço para o HFF, no diagnóstico do AVC na fase aguda e que inclui a leitura das centenas de imagens existentes num só exame do doente (TC, Angio TC e Perfusão) e envio, em escassos 2 minutos, para os telemóveis dos Médicos Neurologista/Internista e Neurorradiologista, permitindo, de modo rápido, a decisão terapêutica: se fibrinolise IV, se terapêutica endovascular e consequente transferência para centro terciário.

Segundo Rui Manaças: «quisemos mostrar como a Inteligência Artificial passará a fazer parte dos protocolos de estudo em Ressonância magnética (RM), encurtando tempos de exploração, optimizando a qualidade de imagem e permitindo um número superior de exames e doentes por turno, constituindo uma rotura nos nossos conceitos tradicionais, habitualmente estanques, de hardware e software

Foram ainda abordadas questões ético-legais que a Inteligência Artificial levanta (de quem é a responsabilidade pelo relatório feito por uma máquina? quem valida outputs que não se compreendem?),entre outras.

Por fim, assinalaram-se as semelhanças entre a rotura trazida pela Telerradiologia há 20 anos e a actual revolução em curso com a Inteligência Artificial: ambas suportadas na revolução tecnológica, avanços nas telecomunicações, nas crescentes potencia e velocidade na transmissão à distancia de imagens, na maior capacidade de armazenamento de dados, ambas disruptivas, geradoras de medos e anseios, ambas extremamente custo-efectivas, ambas aliciantes do ponto de vista económico-financeiro, mas ambas capazes de ajudar Radiologistas e Neurorradiologistas, desde que estes as encarem não como concorrentes, mas como complementares.

Nesta que foi a sua última sessão no HFF, enquanto diretor de Serviço de Neurorradiologia, em virtude da sua aposentação, o Conselho de Administração agradece ao Dr. Rui Manaças o saber e conhecimento transmitidos, bem como o seu empenho e contributo na prestação de cuidados especializados e diferenciados às e aos utentes do hospital.